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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

19/3 - início . 1ª parte

Quando o coração se apaixona, ele toma o controle do corpo inteiro, mesmo sendo um mísero órgão.

O despertador começou a vibrar no criado. Eu apenas chamei minha irmã e voltei a dormir automaticamente. Quando estava na melhor parte do sonho, quando ele estava encostando seus lábios nos meus, o despertador começou a vibrar novamente. Tive vontade de jogá-lo contra a parede, mas depois cheguei a conclusão de que, se ele não me acordasse, alguém me acordaria.

Estava frio com o ventilador ligado, por isso me enrolei no cobertor, ficando mais difícil para levantar. Quando enfim tomei coragem e ergui meu tronco imóvel, fui para o outro quarto cambaleante e caí na cama novamente. Fechei os olhos, e mesmo sem esperança, tentei voltar ao meu sonho.. Tentativa mais fracassada que essa, com certeza, nunca existiu. Frustrada, levante-me de vez e peguei meu uniforme. Antes que pudesse esquecer, coloquei o colar que Lia me deu. O meu colar da sorte. Eu estava realmente precisando de um pouco disso..

Depois de terminadas todas as tarefas matinais e pronta pra sair, lembrei que havia esquecido o aparelho de som ligado na cozinha, então voltei para desligá-lo. Minha mãe então apareceu e me perguntou de novo o por quê de eu e Vini termos terminado. Eu disse que preferia não responder, mas ela insistiu. Acabei falando o motivo. Quando o assunto é religião, as nossas ideias não batem e eu fiquei agradecida por ter que ir pra escola. Meu pais também começou a falar algumas coisas, mas não prestei atenção. Falar sobre ele não ia traze-lo de volta, ia?

O caminho inteiro meu pai perguntou sobre Vini e eu pedia em pensamento que ele parasse, na esperança de que ele lesse minha mente. Quando estávamos quase chegando na escola, abaixei o espelho do carro, peguei um lencinho de papel e comecei a apagar os vestígios de lágrimas, porém, com certeza as manchas vermelhas de choro me denunciariam..

Logo que entrei, já o vi. Ele estava na escada com duas garotas. Passei e cumprimentei. O seu perfume, por uns 3 segundos invadiu-me e encheu meu pulmão. A tortura não tinha fim. Depois de atravessar o corredor, avistei Cacau e Nath. Cacau ficou olhando para mim e logo percebeu que eu não estava muito bem. Abraçou-me e sorriu amigavelmente.

Entrei na sala, larguei minha bolsa de qualquer jeito e saí. Ren estava lá fora, junto com Yan e Jubs. Bob também estava lá. Perguntei se alguém tinha visto o Ruh e todos disseram que ele estava na sala do 1ºA. Fui procurá-lo, mas não o encontrei. Voltei então para fora e fui beber água. Quando voltei pra falar com as meninas, Ruh apareceu.

Antes-
Ruh foi uma das pessoas que mais me recebeu bem na nova escola. Claro que eu não fui a única, mas era bom se sentir acolhida no meio de uma multidão de rostos estranhos. E é claro que eu criei um carinho maior por ele.

Agora-
Ele me abraçou carinhoso, como se estivesse pegando meu coração com cuidado e fazendo-o parar de chorar, embalando-o até que caísse num sono profundo e esquecesse um pouco da dor. E eu pensava que Felipe era meu melhor amigo.. Conversamos sobre qualquer coisa até o sinal bater, depois cada um foi para sua sala.

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